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Alienação Parental: pesquisa na Dinamarca aponta impactos da falta de convivência entre pais e filhos
Um levantamento divulgado recentemente pela World Parents Organization – entidade internacional que promove a guarda compartilhada e a igualdade parental – identificou impactos psicológicos, familiares, sociais e econômicos associados à perda ou à restrição severa de convivência entre pais e filhos na Dinamarca. A pesquisa ouviu 1.705 pessoas, sendo 1.547 homens e 158 mulheres, com o objetivo de reunir dados para aperfeiçoar o apoio a famílias que enfrentam esse tipo de situação.
Segundo o relatório, cerca de 93% dos entrevistados descreveram o relacionamento anterior com os filhos como geralmente ou sempre saudável e satisfatório. Apesar disso, aproximadamente 45% afirmaram que os filhos evitam o contato pelo menos algumas vezes, enquanto cerca de 28% relataram que isso ocorre frequentemente ou sempre.
O levantamento identificou relatos de comportamentos associados à alienação parental, como obstrução da comunicação entre pais e filhos, restrição de contato, enfraquecimento da autoridade parental e alegações supostamente falsas. Entre os sinais observados nas crianças, foram mencionadas manifestações de rejeição, justificativas consideradas desproporcionais para o afastamento e repetição de falas atribuídas ao outro genitor.
O relatório aponta que a saúde mental é uma das áreas mais atingidas entre os entrevistados. Mais de nove em cada dez relataram algum nível de impacto psicológico, desde efeitos moderados até consequências classificadas como graves ou catastróficas.
Comportamentos alienantes
A pesquisa também identificou uma relação entre a intensidade do sofrimento psicológico relatado e a frequência de comportamentos apontados como alienantes. Entre os que classificaram o impacto sobre a saúde mental como catastrófico, 84,1% disseram que alegações consideradas falsas ocorrem frequentemente ou sempre.
Nesse mesmo grupo, 81,9% relataram obstrução da comunicação e 79,7% apontaram restrição de contato com a mesma frequência.
Os efeitos também alcançam outras áreas da vida. Cerca de quatro em cada cinco relataram consequências para as relações familiares, enquanto mais de três em cada quatro identificaram impactos na saúde e no bem-estar dos filhos.
O levantamento ainda registrou repercussões na vida social, na reputação pessoal, na saúde física, no emprego, nas finanças, na moradia e na confiança nas autoridades públicas.
Apoio às famílias
De acordo com o levantamento, cerca de quatro em cada cinco participantes relataram necessidade moderada, alta ou muito alta de apoio.
Entre as recomendações apresentadas pela World Parents Organization estão a identificação precoce dos casos em que a relação entre a criança e um dos genitores começa a se deteriorar e a realização de avaliações rápidas e imparciais sobre as circunstâncias do afastamento, incluindo eventuais preocupações com a segurança.
O documento também defende intervenções centradas no bem-estar da criança, programas estruturados para manter ou reconstruir gradualmente a convivência de forma segura com ambos os pais aptos e maior capacitação de profissionais que atuam nas áreas de Direito das Famílias, assistência social, saúde e psicologia.
Orientação jurídica
Outras medidas sugeridas incluem ampliar o acesso à orientação jurídica, ao apoio psicológico e aos serviços de atendimento em situações de crise, além de melhorar a articulação entre as autoridades responsáveis pelos casos.
O relatório recomenda, ainda, atenção específica ao sofrimento psicológico grave e aos pensamentos suicidas associados à falta prolongada de convivência, bem como o monitoramento de possíveis diferenças no tratamento dos casos e no acesso aos serviços de apoio.
A organização conclui que o enfrentamento dessas situações exige avaliação individualizada, atuação coordenada entre os serviços envolvidos e medidas voltadas à proteção do bem-estar da criança. O documento também defende que a preservação ou a retomada da convivência com ambos os genitores seja considerada quando não houver risco de segurança documentada.
Por Guilherme Gomes
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