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Grupo de Apoio à Adopção de Angola chega aos três anos e expande atuação para Moçambique e Portugal
O Grupo de Apoio à Adopção de Angola – GAAA, iniciativa do Núcleo em Angola do Instituto Brasileiro de Direito das Famílias e Sucessões – IBDFAM, completa três anos de atuação na próxima terça-feira (30). Nesse período, o projeto apoiou cerca de 70 famílias e fortaleceu a promoção do direito de crianças e adolescentes à convivência familiar.
Presidente do GAAA e vice-presidente do Núcleo IBDFAM em Angola, a advogada Iracelma Medeiros-Filipe resume os últimos três anos como o início de um processo de transformação da forma como a adoção pode ser enxergada.
“O principal avanço deste período foi precisamente a crescente consciencialização da sociedade sobre a importância da adopção como medida de protecção da criança e como uma legítima forma de constituição de família. Quando mudamos mentalidades, abrimos caminho para que mais crianças encontrem uma família”, avalia.
Para ela, houve um aumento do interesse de famílias, profissionais e instituições em compreender a adoção de forma responsável, sempre com foco no melhor interesse da criança e do adolescente.
“Esse movimento tem possibilitado que mais crianças tenham oportunidades reais de integração familiar e que a adopção seja vista com mais maturidade, responsabilidade e compromisso”, afirma.
Projeto de vida
O GAAA realiza encontros mensais, em formato virtual, com a participação de famílias adotivas, pessoas em processo de habilitação e profissionais voluntários das áreas do Direito e da Psicologia. Os encontros funcionam como espaços de escuta, formação e apoio aos participantes.
“Muitas pessoas chegam ao grupo com receios, mitos ou informações incompletas e saem com uma visão mais humana, informada e consciente da parentalidade adoptiva”, conta.
E acrescenta: “Por meio das nossas reuniões, acções de sensibilização, partilha de experiências e trabalho multidisciplinar, temos procurado demonstrar que a adopção não é um acto de caridade, mas sim um projecto de vida baseado no amor, na responsabilidade e no compromisso”.
A advogada acredita que, ao ampliar essa compreensão, o grupo também contribui para uma cultura de acolhimento mais inclusiva e preparada para atender às necessidades de crianças e adolescentes que não estão inseridos em um ambiente familiar.
Expansão
Para celebrar os três anos de criação, o GAAA realiza um encontro on-line na próxima terça-feira (30), às 19h de Angola e às 15h do Brasil, via Zoom. O evento vai oficializar a criação dos Grupos de Apoio à Adoção em Moçambique e em Portugal, com a presença de representantes dos respectivos grupos e membros da diretoria nacional do IBDFAM.
“Mais do que celebrar o passado, queremos olhar para o futuro. Esta data é um momento de gratidão por todas as crianças, famílias e profissionais que fizeram parte desta caminhada, mas também uma oportunidade para reflectirmos sobre os desafios que ainda persistem”, destaca Iracelma Medeiros-Filipe.
Ela acrescenta: “Ao celebrarmos três anos do GAAA, não estamos apenas a celebrar uma organização. Estamos a celebrar cada criança que encontrou uma família, cada família que teve a coragem de abrir o coração para a adopção e cada profissional que acreditou que era possível construir uma cultura de adopção mais ética, consciente e centrada na criança”.
Segundo a advogada, ainda há muitas crianças e adolescentes à espera de uma família, cenário que exige o compromisso da sociedade e reforça a importância do trabalho desenvolvido pelo Grupo. “O nosso objetivo só estará completo no dia em que nenhuma criança crescer sem a oportunidade de pertencer a uma família”, afirma.
Por Guilherme Gomes
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