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Levantamento inédito do DataSenado aponta violência recorrente contra mulheres trans e travestis
A 11ª edição da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada pelo DataSenado em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência – OMV, revelou um cenário de violências recorrentes e naturalizadas contra mulheres transexuais e travestis. Segundo o levantamento, 56% das entrevistadas afirmaram ter vivenciado algum tipo de violência nos 12 meses anteriores à pesquisa.
Conduzido entre maio e julho de 2025, o estudo ouviu 43 pessoas que se identificaram como mulheres trans ou travestis. Entre elas, 40% relataram agressões verbais relacionadas diretamente à identidade de gênero, 17% disseram ter sofrido agressões físicas e 12% informaram ter sido vítimas de violência sexual no último ano.
O novo recorte, segundo os organizadores, contribui para ampliar a visibilidade sobre as experiências de mulheres trans e travestis e fortalecer a produção de evidências para formulação de políticas públicas.
Um dos aspectos destacados pela pesquisa é justamente a dificuldade de identificação imediata da violência Enquanto apenas 4% afirmaram, inicialmente, ter sofrido violência de gênero, esse percentual subiu para 56% quando foram questionadas sobre situações concretas vivenciadas no cotidiano, como constrangimentos, agressões verbais, exclusão em espaços públicos, discriminação e maus-tratos em serviços.
O levantamento também mostrou que 47% das entrevistadas já sofreram violência doméstica. Entre as vítimas, 70% apontaram impactos no convívio social, 55% relataram prejuízos à rotina diária, 45% à vida profissional e 35% aos estudos. A forma de violência mais frequente, segundo a pesquisa, é a psicológica.
No mercado de trabalho, os dados também evidenciam exclusão. Entre as participantes, 26% declararam não conseguir se sustentar. Além disso, 51% se disseram ocupadas, 42% estavam fora da força de trabalho e 7% desocupadas. Em relação à renda, 56% recebem menos de dois salários-mínimos, 19% entre dois e seis salários-mínimos e 14% acima de seis salários-mínimos.
O recorte sobre mulheres trans e travestis passará a integrar o Mapa Nacional da Violência de Gênero, plataforma pública e interativa desenvolvida em parceria entre o Senado, o Instituto Natura e a organização Gênero e Número. A iniciativa reúne dados sobre violência de gênero no Brasil e busca subsidiar ações e políticas de enfrentamento.
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