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Sem Empatia, Sem Justiça: o Caso Mariana Ferreira e a Crise Ética do Debate Público
O Instituto Brasileiro de Direito das Famílias e Sucessões – IBDFAM manifesta profundo pesar pelo falecimento da juíza Mariana Francisco Ferreira e solidariza-se com seus familiares, amigos e colegas de magistratura neste momento de dor.
A repercussão pública do episódio expôs, com particular intensidade, um fenômeno preocupante do debate contemporâneo brasileiro: a progressiva desumanização da magistratura. Em meio ao luto provocado pela perda precoce de uma jovem juíza, parte das manifestações públicas revelou menos compromisso com a crítica institucional legítima e mais adesão a uma lógica permanente de ridicularização do Poder Judiciário.
A liberdade de imprensa, a crítica institucional e o humor político constituem pilares essenciais da democracia e devem ser preservados.
Contudo, tais garantias não podem servir de fundamento para a indiferença diante da dor humana nem para a transformação de agentes públicos em alvos simbólicos destituídos de dignidade. Quando a crítica abandona os limites do respeito mínimo e passa a operar exclusivamente pela caricatura e pelo escárnio, deixa de contribuir para o aperfeiçoamento democrático e passa a alimentar a degradação ética do espaço público.
O episódio também evidencia que a desvalorização da magistratura ultrapassa o campo retórico. Trata-se de um processo contínuo de enfraquecimento institucional que naturaliza ataques pessoais, deslegitima a função jurisdicional e fragiliza uma das garantias centrais do Estado Democrático de Direito. Magistrados não são imunes à crítica — e não devem ser —, mas tampouco podem ser tratados como inimigos sociais ou reduzidos à condição de símbolos despersonalizados.
A independência judicial exige não apenas garantias formais, mas também um ambiente institucional minimamente comprometido com o respeito às instituições republicanas. Um Judiciário permanentemente submetido ao escárnio público torna-se mais vulnerável à pressão política, ao populismo e à erosão das garantias constitucionais.
Defender empatia, sobretudo em momentos de luto, não significa defender censura. Significa reafirmar valores elementares de civilidade, humanidade e maturidade democrática. Uma sociedade que perde a capacidade de reconhecer a humanidade de seus juízes corre o risco de perder, silenciosamente, o próprio compromisso com a Justiça.
Instituto Brasileiro de Direito das Famílias e Sucessões – IBDFAM
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