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Direito Penal das Famílias e a necessária interlocução interdisciplinar
No último dia 6 de abril de 2026, das 8h30 às 10h30, sábado, a Diretoria Interdisciplinar, coordenada pelas ilustres Giselle Groeninga e Claudia Pretti, promoveu mais uma relevante roda de conversa dedicada ao tema Direito Penal das Famílias. Esse tema, que vem sendo trabalhado pela Diretoria Interdisciplinar, apresenta-se hoje com grande relevância para uma intervenção efetiva nos processos que envolvem conflitos familiares. A exposição da advogada Virgínia Luna Smith e a mediação da também advogada Adriana Gomes, especialista em Direito das Famílias, trouxeram reflexões profundas sobre o assunto.
Mesmo realizada em um sábado, em período de feriado, a reunião contou com a expressiva participação de aproximadamente 30 profissionais, evidenciando não apenas o interesse, mas a urgência do tema no cenário jurídico contemporâneo.
O encontro de profissionais de diversas áreas, entre elas o Direito das Famílias, o Direito Penal, a Psicanálise , a Psicologia , e o Serviço Social , proporcionou um espaço qualificado de escuta e diálogo, no qual foram exploradas as tensões e convergências entre o Direito Penal e o Direito das Famílias, especialmente diante da crescente complexidade dos conflitos que envolvem relações afetivas, parentalidade e dinâmicas familiares marcadas por múltiplos atores e interesses.
Destacou-se a necessidade de superação de uma atuação fragmentada, reconhecendo que os conflitos familiares contemporâneos não podem mais ser compreendidos a partir de uma única lente jurídica. Ao contrário, exigem uma abordagem integrada, que articule diferentes áreas do conhecimento, como a Psicologia, o Serviço Social e o próprio Direito em suas diversas vertentes.
Também foram discutidos os limites do sistema de justiça na busca da chamada “verdade real”, especialmente no âmbito penal, bem como os desafios impostos pela coexistência de lógicas distintas: de um lado, a rigidez e a natureza reativa do Direito Penal; de outro, a flexibilidade e o caráter prospectivo do Direito das Famílias.
Nesse contexto, ganharam destaque as formas alternativas de resolução de conflitos, com especial atenção à justiça restaurativa, como instrumento capaz de promover responsabilização, escuta qualificada e reconstrução de vínculos, sobretudo em situações de alta complexidade.
A roda de conversa reafirma o compromisso da Diretoria Interdisciplinar com a construção de um espaço permanente de reflexão crítica, técnica e humana, fortalecendo a interlocução entre áreas e contribuindo para uma atuação jurídica mais consciente, ética e eficaz.
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