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Ministério Público vai investigar anúncio para adotar babá menor de idade no Pará

Um anúncio publicado em jornal, no Estado do Pará, causou revolta e indignação e será investigado pela Polícia Civil e Ministério Público do Trabalho. No texto, um casal procura menina que tenha entre 12 e 18 anos para ser adotada e trabalhar como babá. A menina teria que estudar e morar com a família. De […]

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Um anúncio publicado em jornal, no Estado do Pará, causou revolta e indignação e será investigado pela Polícia Civil e Ministério Público do Trabalho. No texto, um casal procura menina que tenha entre 12 e 18 anos para ser adotada e trabalhar como babá. A menina teria que estudar e morar com a família.

De acordo com o Tribunal Regional do Trabalho do Pará, a exploração da mão de obra infantil no Estado representa 7,5% do total registrado no Brasil. Mais de 19 mil crianças e adolescentes trabalham no Estado.

Segundo a advogada Melissa Telles Barufi, presidente interina da Comissão Nacional da Infância e Juventude do IBDFAM, o anúncio é um retrato da realidade, visto que o Brasil é reconhecido internacionalmente como país que se utiliza de mão de obra infantil, principalmente na prestação de serviços domésticos. “É um fenômeno que nos acompanha desde o período colonial, e mesmo no século XXI nossos jovens são tratados, ainda, como se não fossem sujeitos de direito”, disse.

Para ela, o anúncio retrata a violência em vários aspectos, mas o que chama a atenção é a busca do trabalho infantil escravo através da adoção.  “Curiosamente, o Brasil é reconhecido como um dos países com as mais modernas e significativas Normas de proteção à criança e ao adolescente, presentes na Constituição Federal, no Estatuto da Criança e do Adolescente, na Consolidação das Leis Trabalhistas e na Lei Orgânica de Assistência Social. Ou seja, somos um País que avançou na instituição de direitos formais e legislações, mas não conseguimos alcançar a efetivação desses direitos”, reflete.

Barufi acredita ser necessário combater a ideia de que adotar é caridade. “Adotar é um ato de amor, é gerar um filho com o coração”. Ela destaca ainda o pensamento da procuradora Marcela Monteiro Dória, representante regional da Coordenadoria Nacional de Combate à Exploração de Crianças e Adolescentes do MPT, que diz: “É preciso combater a ideia de que o trabalho infantil é bom para as crianças, que as afasta das drogas, que ajuda a desenvolver o jovem. Isso não é verdade. São mitos que precisam acabar. Nossas crianças ou vão trabalhar ou vão usar drogas? São apenas essas duas alternativas? Não podemos lutar para que essas crianças vivam seus direitos?”.

Em breve. Depende do e-mail oficial do IBDFAM.