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Espaço Laços e Afetos: conheça o projeto do Tribunal de Justiça do Paraná que promove a convivência familiar humanizada em situações de conflito

Para oferecer um ambiente acolhedor nas visitas assistidas e monitoradas, o Tribunal de Justiça do Paraná – TJPR criou, há dois anos, o Espaço Laços e Afetos, ambiente que promove o contato humanizado entre crianças, adolescentes e seus familiares em situações de conflito. Pioneira, a iniciativa tem conquistado reconhecimento por minimizar o impacto emocional dessas […]

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Para oferecer um ambiente acolhedor nas visitas assistidas e monitoradas, o Tribunal de Justiça do Paraná – TJPR criou, há dois anos, o Espaço Laços e Afetos, ambiente que promove o contato humanizado entre crianças, adolescentes e seus familiares em situações de conflito. Pioneira, a iniciativa tem conquistado reconhecimento por minimizar o impacto emocional dessas visitas e mostrar que o espaço pode influenciar positivamente na convivência familiar em contextos de vulnerabilidade.

Idealizadora do projeto, a desembargadora Lenice Bodstein, membro do Instituto Brasileiro de Direito de Família – IBDFAM, explica que o Espaço Laços e Afetos foi idealizado como um recurso multidisciplinar voltado para implementar decisões judiciais que buscam aprimorar a convivência entre pais e filhos, ou até entre avós e netos.

“Utilizando normas pedagógicas que promovem a aproximação e retomada da visitação familiar, o projeto busca atender os casos em que a relação é marcada por conflitos, traumas, falta de informação ou até desconhecimento da existência de um vínculo biológico, como ocorre nas investigações de paternidade”, detalha.

A proposta do projeto é oferecer para crianças, adolescentes e familiares um lugar acolhedor, onde possam conviver de forma lúdica e segura, até que a situação jurídica seja definida.

“O espaço também acolhe pessoas com dificuldades de interação, como autistas, em situações de separação dos pais, na qual a convivência envolve fatores muito sensíveis para a saúde integral da criança ou do adolescente. O objetivo é criar, manter ou fortalecer os laços familiares em um ambiente físico e humanizado, promovido pelo Judiciário, para garantir a efetividade das decisões judiciais”, afirma a desembargadora.

Segundo ela, nos dois anos de vigência, o projeto tem apresentado resultados positivos e, em 2023, foi ampliado para receber idosos que se encontram com dificuldades para viabilizar a plena convivência familiar.

“Uma equipe multidisciplinar — composta por assistente social, psicóloga e pedagoga — oferece suporte emocional e afetivo, concretizando uma jurisdição que valoriza o afeto. Esse projeto se destaca como uma resposta acolhedora do Judiciário em prol do bem-estar familiar e da qualidade de vida de todos os envolvidos”, afirma Lenice Bodstein.

Laços

A advogada Luciana Pedroso Xavier, membro do IBDFAM, relata duas experiências que mostram a importância de um espaço adequado para a promoção da reconciliação e o fortalecimento das relações familiares.

A primeira delas é o caso de um idoso que estava sem contato com o filho há cinco anos. “Ele morava na casa do filho mais velho, e os irmãos estavam brigados a ponto de não suportarem ficar no mesmo ambiente. A pedido do filho mais novo, a convivência foi restabelecida no Espaço Laços e Afetos, onde pai e filho puderam se reencontrar. Foi emocionante ver os dois conversando, fazendo um lanche e rindo juntos”, conta.

A segunda envolve o convívio entre avó e neto, que estavam afastados há mais de dois anos. “Com uma convivência gradual e em um ambiente seguro, os vínculos entre ambos foram sendo fortalecidos. Após alguns meses, eles puderam retomar o contato em suas próprias casas, sem necessidade de intervenção judicial”, relembra.

Segundo ela, casos como esses mostram que um espaço adequado permite que o contato entre os familiares ocorra de maneira protegida e humanizada, favorecendo o fortalecimento dos vínculos afetivos.

“A estrutura conta com entradas separadas para cada parte, o que evita constrangimentos e potenciais conflitos entre genitores, enquanto o ambiente arejado, lúdico e equipado com brinquedos e jogos para todas as idades estimula uma interação mais leve e espontânea. Deste modo, a convivência é mais espontânea e afetiva, o que concretiza de maneira exemplar o art. 4º, parágrafo único, da Lei 14.340/2022”, avalia.

Luciana Pedroso Xavier também ressalta que o Espaço Laços e Afetos oferece a possibilidade de manter a convivência familiar em um ambiente seguro, garantindo a proteção de crianças, adolescentes e idosos, o que traz um reforço de confiança no sistema de Justiça e mais tranquilidade para as partes envolvidas.

“Além do ambiente estruturado para encontros familiares, o espaço promove rodas de conversa e oficinas de parentalidade conduzidas por profissionais especializados. Essas atividades ampliam a percepção das partes sobre o conflito e seus papéis, incentivando mudanças de comportamento em prol da proteção e bem-estar dos mais vulneráveis, alinhando-se aos princípios de uma convivência familiar segura e respeitosa”, afirma.

A advogada enfatiza que as observações feitas no ambiente das visitas assistidas e monitoradas têm grande relevância para o processo e serão consideradas pelo juiz ou juíza ao proferir uma sentença. Ela esclarece, no entanto, que em situações graves, em que a integridade física ou psicológica de crianças ou adolescentes esteja em risco, pode ser necessária a realização de uma perícia, que vai além do relatório produzido pelo Espaço Laços e Afetos.

“Nesses casos, é realizada uma investigação mais aprofundada, com a possibilidade de indicação de assistentes técnicos para uma análise minuciosa, assegurando que todas as precauções sejam tomadas em prol da proteção dos envolvidos”, explica.

Por Guilherme Gomes

Em breve. Depende do e-mail oficial do IBDFAM.