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Encontros interdisciplinares do IBDFAM: Direito Penal das Famílias é destaque neste sábado (7)

Promover o diálogo entre o Direito, a Psicologia e outras áreas do conhecimento é a proposta dos encontros interdisciplinares do Instituto Brasileiro de Direito das Famílias e Sucessões – IBDFAM, realizados todo primeiro sábado do mês. Como parte dessa programação, no próximo sábado (7), Giselle Groeninga e Cláudia Pretti coordenam a discussão sobre “Direito Penal […]

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Promover o diálogo entre o Direito, a Psicologia e outras áreas do conhecimento é a proposta dos encontros interdisciplinares do Instituto Brasileiro de Direito das Famílias e Sucessões – IBDFAM, realizados todo primeiro sábado do mês. Como parte dessa programação, no próximo sábado (7), Giselle Groeninga e Cláudia Pretti coordenam a discussão sobre “Direito Penal das Famílias: O que é isso?”, com apresentação de Cyntia Carvalho e Silva.

Vice-Diretora das Relações Interdisciplinares do IBDFAM, a psicanalista Cláudia Pretti Vasconcellos Pellegrini explica que a interdisciplinaridade é um traço constituinte do Instituto. “Estas reuniões mensais surgiram da necessidade de criar um espaço de trabalho continuado, onde o Direito possa ser interpelado por outros campos de saber que operam na complexidade da constituição subjetiva e do sofrimento psíquico.”

“Além da Psicanálise – outro traço que constitui o IBDFAM –, a Psicologia, a Psiquiatria, o Serviço Social, a Sociologia e a Antropologia, entre outros, permitem ampliar o olhar e trazer transformações importantes na atuação de todos os profissionais. Mais do que um evento ou uma palestra, as reuniões são um espaço de interlocução, estudo e aprofundamento, aberto a todos os associados”, esclarece a especialista.

Para Cláudia Pretti, o diferencial do formato é a promoção de uma transdisciplinaridade em ato. “Enquanto a interdisciplinaridade pode limitar-se a uma colaboração externa, os nossos encontros procuram uma integração de saberes que foram historicamente fragmentados.”

“O objetivo é que as pessoas transcendam as suas fronteiras disciplinares para compreender o conflito familiar como um fenômeno multifacetado. Ao retirarmos o profissional de um isolamento técnico, garantimos que a condução das demandas encontre soluções que atendam à singularidade de cada sujeito”, pontua.

Judiciário

A psicanalista entende que aproximar o Direito das Famílias de outras áreas do conhecimento é fundamental, porque a função do Poder Judiciário nas lides de família não é apenas aplicar a norma, mas atuar como um agente de pacificação de conflitos que são, essencialmente, de ordem subjetiva.

“A objetividade do discurso jurídico é, por vezes, insuficiente para dar conta da complexidade humana; a aproximação com a Psicanálise, a Psicologia, a Psiquiatria, o Serviço Social, etc., permite ao Direito das Famílias aceder aos ‘não ditos’ e às dinâmicas inconscientes que sustentam o litígio, que norteiam as dinâmicas familiares, e compõem todas as configurações e laços de afeto presentes nas lides judiciais”, comenta.

Cláudia Pretti destaca que a família contemporânea, em constante mutação, exige que o sistema de justiça abandone a ilusão de um saber onipotente. “Esta interlocução permite reconhecer os limites da norma e utilizar o aporte de outros campos para evitar a ‘reiteração do mesmo’ nos processos.”

“Ao escutar outros saberes, o Direito humaniza a sua decisão, reconhecendo que por trás de cada processo existe uma trama de afetos, desejos e vulnerabilidades que precisa de um olhar especializado para ser, de fato, pacificada”, diz.

“Direito Penal das famílias: o que é isso?”

No encontro deste mês, que acontece em 7 de março, às 8h30, os participantes serão convidados a refletir sobre os limites e aproximações entre o Direito Penal e o Direito das Famílias. Sob coordenação de Giselle Groeninga e Cláudia Pretti, a reunião contará com apresentação de Cyntia Carvalho e Silva.

O foco central, adianta Cláudia Pretti, será o enfrentamento das violências invisíveis — que nascem no interior das relações familiares, mas são difíceis de nomear, certificar ou denunciar. “Refletiremos sobre agressões que ultrapassam a violência física, alcançando a violência psicológica, simbólica, a violência patrimonial e o uso da força moral como instrumento de imposição.”

De acordo com a psicanalista, o tema convida a pensar na integração entre o olhar penal e o familiar. “Sob uma perspectiva interdisciplinar, debateremos como o sistema de justiça pode identificar o abuso em que a própria vítima, por vezes, ainda não consegue nomeá-lo.”

“O objetivo é sensibilizar os profissionais para estas formas de violência que, embora silenciosas, deixam marcas profundas na constituição do sujeito. Queremos propor caminhos de atuação que ofereçam proteção efetiva, garantindo que o Judiciário cumpra o seu papel de cuidado perante as novas e desafiadoras configurações, não apenas das famílias, mas também de seu adoecimento e de seu sofrimento”, finaliza.

Reunião da Diretoria Interdisciplinar do IBDFAM

Tema: Direito Penal das Famílias: O que é isso?
Apresentação: Cyntia Carvalho e Silva
Coordenação: Giselle Groeninga e Claudia Pretti
Data: 7 de março de 2026 (sábado)
Horário: 8h30
Saiba mais e participe:
https://ibdfam.org.br/eventos/3221

Por Débora Anunciação
 

Em breve. Depende do e-mail oficial do IBDFAM.