Conferência de abertura debate a felicidade sob múltiplos aspectos
“Se persistimos na necessidade de perguntar, é por que admitimos o fato de sermos biografias incompletas e histórias de vida inconclusas.” Para o advogado e professor Eduardo Carlos Bianca Bittar, palestrante de abertura do IX Congresso Brasileiro de Direito de Família é nessa acidental e retorcida busca pela completude que nos realizamos, erramos e acertamos. […]
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“Se persistimos na necessidade de perguntar, é por que admitimos o fato de sermos biografias incompletas e histórias de vida inconclusas.” Para o advogado e professor Eduardo Carlos Bianca Bittar, palestrante de abertura do IX Congresso Brasileiro de Direito de Família é nessa acidental e retorcida busca pela completude que nos realizamos, erramos e acertamos. “A felicidade é um termo disputado e fugidio. A prescrição das formas de vida boa são muitas e seguem diferentes caminhos, considerando culturas, tradições e os pontos de vistas mais diversos”, afirma. Com o tema: “Famílias, pluralidade e felicidade”, o palestrante percorreu os caminhos da filosofia para apresentar dilemas contemporâneos. O principal deles é o de que não existe felicidade perfeita e que a própria ideia de felicidade full time e o gozo desmedido reforçam a infelicidade e o vazio.
A mente pós – moderna, como explica Bittar, não espera encontrar uma fórmula total para a vida sem ambiguidade, sem risco, sem perigo e sem erro. Na linha dessa sabedoria, as tarefas jurídicas para o direito das famílias se modificaram. “O respeito à diversidade é o ponto central de tessitura do mundo porque exige um movimento de pluralismo legislativo e não de unificação. O direito pós- moderno não deve traduzir um valor absoluto. A tarefa resta sendo aquela de administrar o convívio entre os muitos modos de vida legítimos.” relata.
Assim, a pergunta sobre o que é a felicidade deixa de ser uma pergunta sobre uma essência para se tornar uma preocupação política da Justiça. “É tarefa da ética do discurso se concentrar nas graves questões de justiça de nossos tempos. Surge daí a necessidade de se criar meios que possibilitem as formas de vida feliz, já que o modo de fruição da felicidade é uma escolha de cada um. A felicidade depende de construções sociais e não apenas individuais. Enquanto a violência domestica persistir, a violência contra crianças etc, a felicidade não será plena entre nós”, questiona.
Eduardo Bittar ressalta a importância do Estatuto das Famílias por materializar o encontro dos arranjos de convívio, além de ser um símbolo de um marco legislativo “de vanguarda que se autoriza a pensar o Direito como o lugar de muitos e não de poucos e muito menos de alguns”, completa.
