Indenização. Abandono afetivo. Peculiaridades do caso. Exceção
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(...) A paternidade responsável, aquela que observa o amor-construção, isto é, o cuidado, seja ela biológica ou sociológica, tem em sua conduta diária tanto a assistência e o provimento material, quanto o acompanhamento e, se não a reciprocidade na troca de relações, ao menos a atenção própria de quem tem o dever de proteger, pois o ser humano, enquanto vive em comunidade, somente justifica sua existência na comunhão. Nesse viés, na pormenorizada análise que a renomada Hannah Arendt fez sobre os estudos encetados por Santo Agostinho acerca do sentimento denominado amor (In:O Conceito de Amor em Santo Agostinho. Gráfica Manoel Barbosa e Filhos Ltda. Direitos Reservados ao Instituto Piaget, Lisboa), colhe-se como consenso que noâmbito das relações entre pais e filhos a aludida expressão (amor) evoca muito mais aconcretude do cuidado, ultrapassa o prisma emocional e, para além da carga instintivae racional, enfeixa na boa guarda da prole a exitosa continuidade na descendência, asaber: [...] Mas o amor aqui não é mais do que a atitude objetiva predestinada do homem (41) [...] O amor (dilectio) não é, pois, determinado de início pelo objeto, não é desejo, mas procede de um mundo ordenado no qual o ordenador é entendido como fazendo ele próprio parte do mundo que ordena (41). [...] A experiência desta relação é feita na sociedade (societas) (42) [...] no mundo ordenado o próximo tem o seu lugar ao lado do eu (43) (in O conceito de Amor em Santo Agostinho. Hannah Arendt. Instituto Piaget. Lisboa. Gráfica Manoel Barbosa e Filhos Ltda., fls. 41 até 73; grifou-se)
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